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Emissão de títulos públicos bate recorde em março

27/04/2015 - A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgou na manhã desta segunda-feira (27/04) que as emissões da Dívida Pública Federal (DPF) chegaram a R$ 147,15 bilhões em março, um recorde para o mês. Já os resgates alcançaram R$ 76,96 bilhões, resultando em uma emissão líquida de R$ 70,19 bilhões.

Para o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, no período, houve vencimento "bastante expressivo" e demanda elevada por parte de diversos grupos de investidores. "A demanda de março foi maior porque os investidores acharam que as taxas estavam mais atraentes e viram uma boa oportunidade de compra. As emissões de títulos em abril estão sendo menores", ressaltou.

No referido mês, as emissões de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) somaram R$ 147,14 bilhões. Desse total, R$ 142,57 bilhões foram emitidos nos leilões tradicionais, R$ 3,11 bilhões nos leilões de troca, R$ 1 bilhão pelo Programa Tesouro e R$ 0,46 bilhão em emissões diretas. Enquanto isso, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve emissões de R$ 9,57 milhões e resgates de R$ 3,45 bilhões.

Conforme explicou Garrido, houve volume maior de emissão de janeiro a março em função de maior concentração dos vencimentos nesses primeiros meses do ano. "O Tesouro optou por aumentar no mês de março o volume vendido a fim de fazer a rolagem da dívida", frisou.

Ele ainda afirmou que, em abril, a demanda continua "bastante elevada", superior ao volume de vendas. "A estratégia para abril é de uma redução em relação aos volumes vendidos em março, em todos os títulos. O Tesouro já efetuou a rolagem da maior parte da dívida e por isso é menor a necessidade de títulos", acrescentou. Pela previsão do Tesouro, no segundo semestre, os vencimentos serão menores e, por consequência, as emissões também irão se reduzir.

Em março, o estoque da DPF cresceu 4,79%, passando de R$ 2,329 trilhões, em fevereiro, para R$ 2,441 trilhões. "Esse indicador ainda não está dentro das bandas do PAF (Plano Anual de Financiamento), mas temos até dezembro para nos enquadrarmos", explicou Garrido. Pelo PAF 2015, o estoque da DPF deve ficar ente R$ 2,450 trilhões e R$ 2,600 trilhões.

Na composição da dívida pública, houve redução na participação da DPMFi, de 95,01% (fevereiro) para 94,89% (março), e aumento da DPFe, de 4,99% para 5,11%. No período, cresceu a participação dos títulos prefixados, que passou de 39,71% para 41,08%, e caiu a participação dos títulos indexados a índice de preços, de 35,25% para 34,62%. Também reduziu o percentual dos títulos remunerados por taxa flutuante, de 20,01% para 19,13%.

Com relação aos detentores da dívida, o destaque ficou para as instituições financeiras, que elevaram sua participação no estoque de R$ 614,19 bilhões para R$ 634,40 bilhões, e para os não-residentes, cujo estoque evoluiu de R$ 448,95 para R$ 469,61.

Emissão externa

Questionado sobre possibilidade de o governo voltar a emitir títulos no exterior, Fernando Garrido afirmou que o Tesouro Nacional "avalia constantemente o mercado". De acordo com ele, a demanda por emissão de títulos públicos brasileiros no exterior é grande. "Temos sido contatados por diversos investidores, mas julgamos que ainda não é o momento adequado. Acreditamos que ainda poderemos ver taxas mais favoráveis para a República".

O coordenador-geral informou que a necessidade de emissões de títulos em moedas estrangeiras é muito baixa, pois todo o pagamento da dívida externa dos próximos dois anos já está pré-financiada. "A necessidade de financiamento é praticamente zero. As emissões externas do Tesouro continuam a ser de caráter qualitativo".

Tesouro Direto

As vendas do Tesouro Direto atingiram a cifra de R$ 1 bilhão em março, recorde de vendas mensais. Até então, o mês com maior volume de vendas tinha sido janeiro de 2014, com R$ 651,1 milhões. Os resgates totalizaram R$ 457 milhões, resultando em emissão líquida de R$ 544,7 milhões. Com esse desempenho, o estoque do programa cresceu 4,90%, em relação à fevereiro, e chegou a R$ 16,72 bilhões.

Em março também houve recorde no número de investidores cadastrados, somando 12.570 novos participantes. O número total de investidores cadastrados no Programa atingiu 484.275, alta de 23,4% em relação ao mesmo período do ano passado. "Aproximamos-nos de meio milhão dos investidores cadastrados. Isso é bastante expressivo e mostra como o Programa é simples e atraente", comemorou Fernando Garrido.

Segundo Garrido, esse bom resultado reflete as mudanças sofridas pelo Programa em março, que simplificou o nome dos títulos, modernizou o site e passou a oferecer a possibilidade de recompra diária.

Fonte: ACS/MF.