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Título: “Como se aposentar com títulos do Tesouro”
Data: 03/06/2008
Crédito:




O risco de comprar um título em vez de aplicar em um plano de previdência é que o próprio investidor terá que estudar a melhor opção de investimento ao programar a aposentadoria

Nathália Ferreira - AE

Ao programar o orçamento mensal, cada vez mais o brasileiro se preocupa em reservar um dinheiro extra para a aposentadoria. Depois de definir quanto por mês será poupado, chega a hora de escolher a melhor opção de investimento. Para quem se considera muito conservador e prefere ficar na renda fixa, o Tesouro Nacional traz alternativas interessantes.

“Os títulos são um produto interessante porque permitem que o investidor aplique um valor razoavelmente pequeno todo mês”, explica o diretor da corretora Socopa, Marcos Monteiro. A partir de cerca de R$ 200 por mês, dependendo do valor total do papel, o investidor consegue comprar uma fração – 0,2% - do título e iniciar a poupança mensal.

Os títulos do Tesouro já integram a carteira dos fundos de renda fixa e, dependendo da corretora em que forem adquiridos, as taxas de administração podem ser bem menores que às cobradas nos planos de previdência privada, o que os torna mais vantajosos.
Em planos PGBL ou VGBL, a taxa de administração costuma ser de 3% ao ano e há ainda taxa mensal de carregamento, que também pode chegar a 3%. Já a compra de títulos do governo, em alguns casos, pode custar no máximo 0,40% ao ano.

O risco de comprar um título em vez de aplicar em um plano de previdência privada é que o próprio investidor terá que estudar a melhor opção de investimento ao programar a aposentadoria. Além disso, embora o título seja considerado um investimento seguro, não há previsão de como será o governo e a política econômica daqui a 20 anos.

1 – Pesquise as taxas de corretagem

Antes de iniciar as compras no Tesouro Direto, o investidor precisa escolher a corretora por meio da qual pretende operar. As taxas de administração variam muito e podem pesar no rendimento anual.

“Algumas taxas cobradas são altas e, com a redução do juro, o custo pode aumentar e o título pode perder vantagem para outros investimentos”, explica Monteiro, da Socopa.

Os custos para adquirir um título do Tesouro englobam a taxa de custódia - de 0,40% ao ano cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), que faz a guarda dos papéis – e a taxa de corretagem cobrada pela instituição financeira. Essa última varia desde isenção até 4% ao ano, considerada muito cara. O ideal são taxas de até 0,50%.

2 – Veja quais são as perspectivas para a economia

É muito difícil prever qual será a taxa de juro ou de inflação daqui a dez ou 20 anos, mas o cenário de médio prazo pode ajudar na escolha do título. Atualmente, especialistas têm recomendado os papéis indexados a índices de preços por conta da perspectiva de alta da inflação.
“Para a aposentadoria, os títulos indexados a índices de inflação são adequados, pois os prazos vão até 2045”, recomenda o operador da corretora Socopa, Ivan Carlos Silva.

Por enquanto, a única opção de títulos ligados à inflação é a NTN-B, que rende uma taxa prefixada em torno de 6% ao ano mais a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo).

O cenário para os preços está diretamente ligado ao comportamento da taxa de juros, já que a redução da taxa Selic pressiona a inflação para cima ao aumentar a renda disponível para o consumidor. Por isso, a perspectiva de alta ou corte na taxa de juro também pode direcionar a compra de títulos prefixados ou pós-fixados.

3 - Defina o ano que pretende se aposentar

O investidor que pensa em garantir um dinheiro no futuro não deve comprar e vender títulos a todo o momento para ganhar com flutuações do mercado. O ideal é que boa parte dos papéis sejam mantidos em carteira até o vencimento.

O Tesouro tem aumentado o prazo de vencimento dos títulos, mas ainda são poucas as opções que vão além de 2017. Os papéis mais curtos devem ser trocados periodicamente, até que se atinja a data prevista de aposentadoria. Essa data irá ditar o prazo do papel a ser adquirido.

Portanto, quem planeja se aposentar daqui a dez anos deve comprar títulos com vencimento em 2017.

4 – Monte uma carteira com títulos diferentes

Embora os títulos ligados à inflação sejam os únicos disponíveis para prazos a partir de 2018, é interessante que o investidor monte uma carteira com mais de um papel.

Além disso, por mais que o cenário indique alta de inflação, os títulos pós-fixados (LFT) e ligados à taxa de juro são considerados mais seguros para uma aposentadoria. “A LFT rende a taxa Selic, a volatilidade é menor”, explica Silva, da Renascença.

A Selic é definida nas reuniões periódicas do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que o investidor consegue acompanhar para saber se houve mudanças no rendimento da aplicação. Já os indicadores de inflação dependem de oscilações de preços e, em alguns casos, a taxa pode ser negativa, o que não acontece com o juro.

Segundo Silva, o investidor que pretende se aposentar em 10 anos deve ter na carteira 50% de LFT e 50% de NTN-B. Quanto maior o prazo de aposentadoria, maior deve ser o porcentual de LFT. Quem se aposentar em prazos acima de 20 anos, por exemplo, deve ter 70% de LFT.

5 – Avalie periodicamente o cenário econômico

Como se trata de um investimento de longo prazo e não há como prever o cenário econômico para daqui a 20 anos, o investidor deve fazer uma análise periódica sobre perspectivas para taxa de juro e inflação.
“Os títulos são uma alternativa fácil, viável, mas o investidor não pode colocar na gaveta e esquecer do investimento. É preciso acompanhar o mercado”, recomenda Monteiro, da Socopa.

A análise deve ser feita pelo menos uma vez por ano, para acompanhar se o rendimento está de acordo com o planejado e se uma troca de títulos pode ser interessante. Por exemplo, quem comprar a LFT com vencimento em 2013, já tem que se programar para trocar de papel em no máximo seis anos se ainda não for a época de se aposentar.

 



     

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