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Jornal: Valor Econômico
Título: “Ponto Positivo é o que não falta para o Tesouro Direto”
Data: 03/07/2009
Crédito: Robson Queiroz
No último mês de maio, 2.563 pessoas se cadastraram no Tesouro Direto - sistema
de negociação de títulos públicos via internet -, elevando o total de
investidores para 158,5 mil. Quando comparado ao mesmo mês de 2008, o volume
representa um aumento de 33,6%. Somente neste ano, 12.639 investidores já
ingressaram no sistema.
Apesar da forte trajetória de crescimento, esta ainda é uma alternativa
de investimento pouco conhecida e explorada. Para se ter ideia, o volume
financeiro investido é de apenas R$ 2,8 bilhões. Apenas como base de
comparação, no caso dos fundos de renda fixa e referenciados DI, o estoque
de recursos, até o último dia 17, soma R$ 537,9 bilhões. Ou seja, a
modalidade ainda representa 0,5% do total de recursos aplicados nos fundos
com perfil conservador. O grande desafio é desmistificar a aplicação para
o investidor pessoal. Primeiramente, ele precisa se acostumar com o sistema.
Entender a dinâmica também é mais complicado para aqueles que, até hoje, apenas
investiram em poupança ou fundos adquiridos diretamente pelo banco no qual
possuem conta corrente. Para este investidor, principalmente, é preciso levar
informação. O primeiro ponto que precisa de esclarecimento é que, apesar de
chamar Tesouro Direto, a transação precisa ser intermediada por uma instituição
devidamente credenciada como agente de custódia. Para investir neste segmento, é
preciso abrir uma conta junto à corretora e, posteriormente, solicitar o
cadastramento e receber uma senha para atuar no Tesouro Direto. Na hora de
escolher os títulos, o leque de opções é grande. O investidor pode escolher
entre os papéis que acompanham os índices de inflação, os indexados à taxa Selic
e os prefixados. A escolha do melhor papel depende do momento e do objetivo do
investidor. As notas do Tesouro que acompanham o IGP-M ou o IPCA, por exemplo,
são ótimas opções para quem quer garantir o poder de compra e rentabilidade
acima da inflação. Já quem prefere acompanhar a trajetória da Selic pode optar
pelas LFT. E, para aqueles que querem saber hoje quanto irão receber amanhã, há
várias opções de LTN e NTN-F. É preciso também se informar sobre as taxas. Há
três diferentes taxas cobradas nas transações do Tesouro Direto. A cada título
adquirido, é cobrado 0,10% de taxa de negociação e taxa de custódia de 0,30%,
ambas da BM&FBovespa. O agente de custódia também trabalha com uma taxa anual.
Neste caso, os valores são variáveis de acordo com o agente. Há taxas que variam
de 0% a 4% ao ano. Além de aprender como operar o Tesouro, é preciso
esclarecer que o título é o mesmo que o banco ou a asset adquire para incluir na
carteira dos fundos. A diferença é que o investidor irá controlar a própria
carteira. Outra grande dúvida é com relação à liquidez desses papéis. Este é um
dos pontos mais questionados por aqueles que se interessam em aplicar parte de
seus recursos nestes papéis. O Tesouro realiza leilões todas as semanas para
recomprar os papéis caso o investidor precise dos recursos.
Para os investidores que já possuem conta em uma corretora de valores, o
caminho para aplicar em títulos públicos via Tesouro Direto é mais curto e
mais tranquilo. Na maioria das vezes, este investidor está mais habituado a
gerenciar a própria carteira. No entanto, mesmo assim, ainda há um grande
espaço para crescimento e diversificação.
No cenário atual, uma série de fatores favorece o aumento da procura por
este tipo de aplicação. O primeiro, sem dúvida, é a trajetória de queda dos
juros da economia. Pela primeira vez, estamos com uma taxa real inferior a
dois dígitos, o que favorece a busca por investimentos que ofereçam
rentabilidade mais atrativa. Além disso, trata-se do investimento com menor
risco do mercado. Ou seja, é uma ótima opção para a renda fixa, tanto para
investidores que não querem correr risco como para aqueles que precisam
diversificar suas carteiras.
É importante ressaltar que não se trata de ganhar território hoje ocupado
pelos fundos de investimento. Os fundos continuam - e irão continuar - entre
as principais opções para aqueles investidores que não gostam e não querem
gerenciar diretamente a carteira, que precisam e gostam de liquidez diária.
A questão é conquistar uma grande parcela de investidores que não conhece
este modelo e os seus pontos positivos. E, no cenário atual, ponto positivo
é o que não falta para o Tesouro Direto.
Robson Queiroz é diretor-comercial da SLW Corretora de Valores
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